Reality Awaits: O álbum mais divisivo dos Strokes em anos

O The Strokes lançou “Reality Awaits”, o novo álbum de estúdio da banda. O disco chega após o grupo vencer um Grammy com The New Abnormal e viver uma fase de grande reconhecimento na carreira. Em vez de repetir a fórmula de sucesso, a banda optou por explorar novas direções musicais, mesmo sabendo que a mudança pode não agradar a todos.
O álbum tem nove faixas. A abertura com “Psycho Shit” já mostra que o disco não é imediato. A música tem construção lenta, camadas de guitarras e atmosfera densa. A banda parece menos preocupada com refrões explosivos e mais focada em criar tensão e groove. Essa proposta se mantém ao longo do trabalho, que troca impacto por experimentação.
Musicalmente, a banda segue em boa forma. Albert Hammond Jr. e Nick Valensi continuam dialogando bem com suas guitarras. Fabrizio Moretti e Nikolai Fraiture mantêm a base sólida do som do grupo. A química entre os cinco músicos é evidente, mesmo quando as canções tomam caminhos inesperados.
O vocalista Julian Casablancas traz para o disco elementos de seus trabalhos recentes fora da banda. O uso de autotune, interpretações teatrais e arranjos eletrônicos dão personalidade ao álbum. Em faixas como “Lonely in the Future”, essa escolha funciona e reforça a sensação de inquietação. Já em “Falling Out of Love”, os efeitos reduzem parte da carga emocional da composição.
Quando o álbum encontra equilíbrio entre experimentação e melodia, o resultado é positivo. “Going Shopping” é um exemplo disso, enquanto “Going to Babble On” recupera parte da energia característica da banda. Por outro lado, algumas músicas parecem prolongar ideias que não se desenvolvem completamente. O disco ocasionalmente transmite a impressão de estar buscando uma direção que não encontra.
O maior mérito de “Reality Awaits” é a recusa da banda em permanecer confortável. Poucos grupos com mais de vinte anos de carreira continuam dispostos a correr riscos. Ainda assim, a ousadia por si só não garante grandes resultados. O álbum tem boas ideias e ótimas performances instrumentais, mas sofre com escolhas que nem sempre favorecem as composições. No fim, o disco parece um trabalho de transição, que aponta para novos horizontes sem transformar todas as ambições em músicas memoráveis. A nota dada ao álbum é 3 de 5.


