Projeto B News
Notícias

Jão entrega álbum mais humano em "Memórias Póstumas

Por Projeto B News · · 2 min de leitura
Jão entrega álbum mais humano em "Memórias Póstumas
Capa de “Memórias Póstumas” | Foto por Hugo Comte

O cantor Jão lançou o álbum "Memórias Póstumas", um trabalho que foge do estilo grandioso de seu disco anterior, "SUPER" (2023). Em vez de músicas para arenas e refrões catárticos, o artista apresenta um projeto mais íntimo, literário e emocional.

O álbum é um relato sobre transformar a dor em narrativa, encarando o luto sem tentar suavizá-lo. Cada faixa revela inseguranças, saudades e conflitos com transparência. A obra tem força na coragem de expor feridas abertas.

A faixa de abertura, "Catedral", reflete sobre a morte e a ausência do pai, estabelecendo o tom do disco. "Memórias Póstumas" não tenta transformar o luto em um grande clímax dramático. A obra entende que algumas dores existem porque não encontram explicação.

Nas 14 faixas, os violões assumem o protagonismo, diferente do disco anterior onde as guitarras dominavam. Flautas aparecem como pequenos respiros e as cordas abraçam a melancolia das composições. A produção, assinada por Jão e Zebu, sabe quando deixar o silêncio falar mais alto.

Em "Aurora", a abertura à capela dá lugar a um violão delicado. "Literatura", "Por Você" e "O Arquiteto" mostram um compositor mais interessado em registrar pensamentos incompletos e dúvidas. A impressão é de ouvir alguém organizando o próprio caos.

A maior evolução de Jão está na composição. O artista abandona a necessidade de entregar respostas e confia mais na ambiguidade das palavras. O título, inspirado em Machado de Assis, funciona como chave de leitura para um álbum que transforma memória, tempo e finitude em personagens.

A escrita ganha novas camadas por aceitar não ser completamente compreendida. Há versos que parecem simples na primeira audição, mas crescem conforme o disco avança. Jão entende que nem toda música precisa explicar seus sentimentos.

O álbum olha para referências como os Acústicos MTV e a MPB dos anos 1990, mas não soa nostálgico. Jão faz um pop mais paciente, menos preocupado com tendências. Há momentos de leveza em "Jabuticabeira" e explosões pontuais em "Curioso" e "Passeios Noturnos".

"Memórias Póstumas" não gira em torno de possíveis hits. O álbum funciona melhor quando ouvido do começo ao fim, como um único percurso emocional. O disco pode causar estranhamento para quem esperava um pop de arena, mas essa parece ser uma escolha consciente.

O álbum é sobre perdas e permanência. Se "SUPER" consolidou Jão como um dos maiores nomes do pop brasileiro, "Memórias Póstumas" o apresenta como um artista disposto a desafiar suas próprias fórmulas. O trabalho recebeu nota máxima (5/5).

Compartilhar: WhatsApp Facebook X