Poucas bandas no mundo têm uma identidade visual tão reconhecível quanto o Metallica. O logotipo pontiagudo, criado por James Hetfield, é identificado por fãs de várias gerações e aparece em camisetas, discos e palcos há mais de quatro décadas.
Durante duas apresentações da turnê M72 no London Stadium, em Londres, o vermelho do logo e da arte do pôster foi desaparecendo lentamente dos telões. A ação fez parte da campanha Emergency Low-Gos, criada pela Havas para o NHS, o sistema público de saúde britânico. O objetivo era alertar sobre a queda nos estoques de sangue no Reino Unido, agravada pelas recentes ondas de calor.
A campanha não pede que as marcas criem uma nova identidade. Pede o contrário: que abram mão, temporariamente, de um dos seus ativos mais valiosos. O conceito de Low-Gos convida empresas a retirar o vermelho de seus logotipos como representação visual da redução dos estoques de sangue.
Antes do Metallica, marcas como Marvel, HSBC UK, Westfield, The Independent e English Heritage já haviam participado da iniciativa. A entrada da banda levou o projeto para outro patamar.
A relação com os fãs sempre foi baseada em pertencimento, seja pelo fã-clube, pela fundação All Within My Hands ou pela maneira como a banda transforma cada turnê em uma experiência coletiva. Quando essa comunidade percebe uma alteração em um símbolo conhecido, naturalmente quer entender o motivo.
A banda não interrompeu o show para fazer um discurso nem inseriu uma propaganda tradicional entre as músicas. A própria identidade visual virou mídia.
Coluna Kill Your Logo
Esta coluna é dedicada a explorar como o marketing pode transformar bandas em marcas icônicas e vice-versa. Com insights sobre música, estratégias criativas e cases de sucesso, o conteúdo pretende desvendar o universo em que música e negócios se encontram.


