Projeto B News
Notícias

Tropkillaz: como o duo redefiniu a música urbana brasileira

Por Projeto B News · · 3 min de leitura
Tropkillaz: como o duo redefiniu a música urbana brasileira
Foto: Divulgação

As batidas do Tropkillaz possuem uma assinatura imediata que dispensa apresentações. Muito antes do mercado fonográfico brasileiro compreender o produtor musical como uma figura central do espetáculo, o duo já redesenhava as engrenagens da música urbana, exportando texturas periféricas para a espinha dorsal do pop global. Para além de acompanhar tendências internacionais, DJ Zegon e Laudz sintonizaram o Brasil em um novo ritmo de pista, transformando o peso do rap e o swing do funk em uma linguagem universal.

Essa "grife sonora" nasceu da colisão orgânica entre dois arquitetos de tempos distintos. DJ Zegon carrega a bagagem analógica e histórica da era de ouro do rap nacional, tendo pavimentado os anos 90 com o Planet Hemp e explorado as fronteiras globais no projeto N.A.S.A. Do outro lado, Laudz representa a precisão da geração digital de beatmakers. Ao unirem essas duas forças, eles criaram um ecossistema criativo onde o preciosismo do estúdio e o termômetro das ruas convivem em equilíbrio.

O nascimento do Tropkillaz foi espontâneo. Zegon recorda que o projeto surgiu de forma despretensiosa, após uma polêmica no Twitter envolvendo a Liga de Beats. "O mais legal disso tudo é que não teve nenhum plano. A gente não planejou, não premeditou. Eu conheci o Laudz no Twitter, nossa primeira conversa foi sobre a Liga dos Beats. O Laudz ficou em segundo lugar e eu falei: 'Te roubaram feio, mano'."

O entrosamento no estúdio foi imediato. Zé Gonzales acrescenta: "Quando eu conversava com o Laudz, eu dizia que a gente tinha que fazer pro rap o que o drum 'n' bass fez. Vamos fazer o rap como a música eletrônica foi feita, nós dois beatmakers, e virar o nosso show."

O reflexo dessa consistência digital cruzou oceanos. A faixa "Mambo" começou a gerar um volume incomum de interações nas redes sociais russas. Zegon relembra o convite para a primeira turnê internacional: "Pegamos uma turnê de cinco dias: Moscou, São Petersburgo e fomos parar na Sibéria. Estava zero graus no verão, com sol da meia-noite, foi incrível e a gente completamente pop star no bagulho."

Ao retornar ao Brasil, o Tropkillaz levou essa experiência para o circuito de clubes nacionais. Laudz pontua: "A gente ter esse feeling de DJ conta muito. O Zé está tocando desde 80 e poucos, então sabe muito bem o que a galera quer ouvir. Eu também comecei cedo, então já tinha noção do que a galera queria ouvir."

A dinâmica interna do duo sempre foi sustentada por um contraste geracional. No início, Zegon já acumulava décadas de vivência na indústria, enquanto Laudz iniciava seus vinte anos. Essa assinatura permitiu ao duo atuar como plataforma de fomento para a cena nacional através do selo Skol Music, onde produziram "Tombei", de Karol Conká. A parceria com Anitta em "Vai Malandra" inseriu o Tropkillaz no topo das paradas do mainstream brasileiro.

Zegon analisa o impacto dessa transição: "O 'Vai Malandra' foi o ponto que a gente se afastou de um certo público. Quando você vai pro mainstream, um monte de gente vai virar a cara para você. A gente se distanciou daquele público do Soundcloud."

A estética desenvolvida pelo duo em sua primeira fase serve de alicerce para grande parte das produções atuais de K-pop. Zegon identifica essa influência: "O K-pop hoje é bem inspirado no hip-hop com música eletrônica e no trap. A gente escuta nossas demos da época e algumas podiam ser um K-pop. Aquele teclado meio desafinado com uma ressonância virou tema em músicas de 2020 para frente."

Compartilhar: WhatsApp Facebook X