Suno lança vinil com músicas de IA por R$230

O Suno, plataforma de geração de músicas por inteligência artificial, anunciou um novo serviço que permite aos usuários transformarem suas criações em discos de vinil. O produto, chamado Suno Vinyl, está em desenvolvimento e já abriu lista de espera para interessados.
De acordo com a página oficial do serviço, cada disco terá o preço estimado de R$ 230 mais frete, na conversão atual do dólar. O anúncio acontece em meio a disputas judiciais envolvendo a empresa sobre direitos autorais e o uso de obras protegidas para treinar seus sistemas de IA.
A empresa, que captou mais de R$ 2 bilhões em investimentos em junho e alcançou avaliação total de R$ 27,6 bilhões, afirma que o vinil é uma forma de preservar memórias e criar presentes personalizados. A divulgação sugere o uso das músicas para ocasiões como aniversários de casamento ou "aquela piada interna que virou um hino".
Os usuários poderão selecionar faixas da própria biblioteca no Suno, com capacidade de até 46 minutos de áudio por disco. A plataforma permitirá personalizar capa, rótulos e encarte com artes próprias ou imagens disponibilizadas pelo sistema.
Cada unidade será um disco preto de 12 polegadas produzido em PETG, material descrito pela empresa como mais sustentável. O produto passará por etapas de prensagem, controle de qualidade e envio direto ao endereço do usuário. A empresa reforça que o resultado é "um disco prensado de verdade", e não uma gravação de baixa fidelidade.
Disputas judiciais
O lançamento ocorre enquanto a Suno enfrenta ações na Justiça sobre o treinamento de seus modelos de IA. Em 2024, três grandes gravadoras acusaram a empresa e sua concorrente Udio de violação de direitos autorais, alegando uso de gravações protegidas sem autorização.
Os processos foram coordenados pela RIAA, associação que representa as principais gravadoras dos Estados Unidos. Em novembro de 2025, a Warner Music Group fechou acordo com a Suno e assinou contrato de licenciamento com a empresa. Como parte da parceria, a Suno adquiriu a Songkick, plataforma da Warner voltada à descoberta de shows.
O acordo estabeleceu que o download de músicas passaria a ser restrito aos assinantes pagos, enquanto usuários do plano gratuito poderiam apenas reproduzir e compartilhar suas criações. Em outubro do mesmo ano, a Universal Music encerrou seu processo separado contra a Udio, mas segue como autora da ação contra a Suno. A Sony Music, que não firmou acordos com nenhuma das empresas de IA, continua processando ambas.
Além das ações das grandes gravadoras, a Suno enfrenta processos de artistas independentes. Na semana passada, a companhia perdeu uma ação por direitos autorais na Alemanha, movida pela sociedade de gestão coletiva GEMA, e ainda responde a um processo semelhante na Dinamarca, apresentado pela Koda.


