
O animê "Rooster Fighter", lançado na última temporada de primavera, acompanha um galo com superpoderes chamado Keiji que enfrenta criaturas gigantescas conhecidas como kiju. A premissa é literal: um galináceo que cisca pelo cenário enquanto distribui golpes em monstros colossais, sem perder a postura de herói solitário e implacável.
Ao longo da jornada, outras figuras se unem a Keiji. Há Piyoko, uma pintinha apaixonada que nunca envelhece; Elizabeth, uma galinha guerreira aristocrata criada por um humano que entende o dialeto das aves; Keisuke, o meio-irmão mais novo de Keiji; e Morio, um kiju que nutre simpatia pela humanidade.
A história segue o grupo peregrinando pelo Japão e enfrentando diferentes kiju, cujas habilidades definem o tom dos episódios. Apesar de parecer uma idiotice, há tanto empenho técnico e esmero estético que a coisa toda se torna séria. O animê tem autoconsciência de sua galhofa, mas é executado com seriedade.
Um arco melodramático envolve a dinâmica familiar entre Keiji e Keisuke. O roteiro apela para flashbacks densos, onde o pai negligente abandona a mãe de Keiji enquanto ela chocava o ovo da irmã, resultando na morte da galinha-mãe. A relação entre Keisuke e o pai também é tensa, com imposição de missões desde jovem. Todo esse drama é interpretado por galos, criando um limiar entre o cômico e o emocionante.
Esteticamente, as sequências de ação são deslumbrantes e bem elaboradas, contrastando com a simplicidade das cenas cotidianas. Além do espetáculo visual, "Rooster Fighter" explora discussões sociais, como o preconceito pela aparência. Kiju pacíficos tentam coexistir com a humanidade, mas são marginalizados por sua aparência grotesca.
O animê também faz uso do erotismo de forma transgressora. O ápice ocorre quando uma segunda personalidade tenta tomar o controle do corpo de Keiji no momento em que ele entra no cio, ao estilo "O Médico e o Monstro", transformando o instinto animal em uma batalha psicológica.
"Rooster Fighter" está disponível com opção dublada no Disney+. A animação é feita pelo estúdio Sanzigen, sob produção da Viz Media para o selo Adult Swim, sendo transmitida também pelo canal pago homônimo. O mangá é publicado no Brasil pela editora Panini, que lançou recentemente uma sobrecapa variante para a décima edição exclusiva homenageando a Seleção Brasileira.


