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Reggae alagoano: disco celebra a periferia de Maceió

Por Projeto B News · · 3 min de leitura
Reggae alagoano: disco celebra a periferia de Maceió
Disco abre o jogo sobre a realidade da periferia alagoana por meio do reggae | Crédito: reprodução

O disco “Estiga Perifa”, lançado em 2015 pelo músico alagoano Boby CH, retrata a realidade das periferias de Maceió por meio do reggae. A obra é um reflexo das memórias coletivas, das afetividades e das denúncias contra a violência, além de funcionar como uma homenagem à cultura periférica do estado de Alagoas.

Na faixa “Melô do Jaçaman”, o artista menciona discotecas tradicionais da região, como a Scorpion e a Reggae Night. Esses espaços são parte de uma vivência que atravessa gerações em bairros como Chã da Jaqueira, Jacintinho e Vergel do Lago. O reggae está presente nesses locais desde os anos 70, quando começou a tocar nas discotecas da capital alagoana. Com o tempo, o ritmo se tornou parte do dia a dia dos moradores, sendo ouvido em escolas, lojas e residências.

O crescimento do reggae em Alagoas

Entre os anos 70 e 80, Maceió passou a adotar as batidas do reggae em casas de show como a Baila Conmigo. O gênero ganhou força local, mas foi na década de 90 que o estilo musical teve uma expansão maior em todo o estado. Bandas como Mensageiros de Jah, Vibrações e Airê Vibration, além do cantor Osvaldo Silva, foram nomes importantes nesse período. Eles ajudaram a difundir o som nas ruas da capital e também influenciaram um estilo de vida regueiro, marcado por roupas, penteados e gosto musical próprios.

Essa influência se manteve ao longo dos anos e impulsionou artistas como o DJ Cleiton Rasta e a cantora Luana do Reggae, que seguem levando o gênero para diferentes públicos. Diferente do Maranhão, que é considerado a capital do reggae no Brasil, Alagoas seguiu um caminho próprio. O estado produz em grande quantidade os chamados “melôs”, que são versões melódicas e românticas de músicas conhecidas, como “We Belong Together”, de Mariah Carey.

As referências do disco

O álbum de Boby CH traz referências que vão além das citações diretas. Na faixa de abertura, “Introdosom”, o músico convida o ouvinte para dançar, como acontecia nas antigas discotecas dos bairros. Já a música “Estiga Perifa” apresenta ritmos mais acelerados, com uma clara ligação com os bailes de reggae. DJs como DJ Boca e DJ Thuppa, nomes conhecidos da cena local, ajudaram a popularizar os melôs por meio de gravações de DVD distribuídas na região.

Boby CH afirma que sua música tem forte influência dessas discotecas, embora muitos desses espaços já não existam mais. Além das pistas de dança, o disco valoriza o modo de falar das comunidades, com expressões como “champra”, “rafamé” e “chama na chincha”.

Críticas sociais no reggae

O reggae em Alagoas também é usado como ferramenta de discussão política e social. Bandas como Vibrações e Tequilla Bomb abordam problemas enfrentados pela população de baixa renda no país. No disco, Boby CH faz críticas à realidade das periferias alagoanas. Na faixa “No Gueto é Sem Massagem”, o artista fala sobre a violência policial no estado. Dados do 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que Alagoas registrou 54,6% de mortes por intervenção policial em 2025.

A letra da música diz: “Eles querem eles dizem mas não vão nos cegar / Nos dividem enriquece com as suas regras / Eles acham só porque sou da favela / Aqui não existe paz ainda estamos em guerra”. A canção também trata da visão elitizada sobre quem vive nas regiões periféricas e de como a desigualdade afeta a saúde e o bem-estar da população. Na faixa “Guerreiro”, o músico destaca a luta da classe trabalhadora em uma rotina intensa para melhorar de vida.

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