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Nakamura-kun: ter o coração partido faz parte

Por Projeto B News · · 3 min de leitura
Nakamura-kun: ter o coração partido faz parte
Imagem: Crunchyroll/Reprodução

Há um rito de passagem para toda pessoa que se apaixona e não é correspondida: ver quem você está a fim com outra pessoa. Na adolescência, a sensação de deslocamento da realidade é ainda maior. Dá vontade de gritar, chorar, sumir do mundo. Na juventude, tudo é mais dramático.

Dentro do universo LGBTQ+, isso pode ser ainda mais apocalíptico. A depender de quem for o outro alguém, é a confirmação de que a pessoa por quem você se apaixonou sequer joga no seu time. Não há, nunca houve e nunca haveria chance. É um amor platônico, irrealizável, inatingível.

É partindo dessa ideia que Go For It, Nakamura-kun!! entrega o seu Momento Sugoi. Nakamura é um dos grandes animês da última temporada de primavera. Baseado no mangá BL de mesmo nome da autora Syundei, a história acompanha o estudante de 16 anos Okuta Nakamura. No primeiro dia de aula, ele se apaixona pelo colega de classe Aiki Hirose. Eles nunca tinham conversado, mas Nakamura o viu de longe e o achou bonito, divertido e interessante.

Nakamura, que é muito tímido e retraído, faz um esforço para ser notado por Hirose, começar uma amizade e torcer para que as coisas evoluam. A ideia dá certo pela metade. Após algumas tentativas, Nakamura é notado. Como ele não é o estereótipo do cara "machão", Hirose vê nele a oportunidade de ter uma amizade verdadeira, onde pode ser ele mesmo sem se submeter às partes desgastantes de "ser homem" no ciclo social masculino adolescente.

Mas a paixão não acontece. Hirose parece não perceber as segundas intenções de Nakamura. Em dado momento, ocorre o pior: Hirose é abordado por uma garota e eles começam a namorar.

Na maior parte, Go For It, Nakamura-kun!! é um animê gostoso de assistir. As situações passeiam entre o fofo e o hilário, com personagens carismáticos e uma produção vibrante. É um animê de "quentinho no coração". Por isso, quando isso é quebrado no episódio 12, o baque emocional é impactante.

Começa bonitinho. É dia de São Valentim no Japão. As garotas preparam chocolates para presentear quem elas têm sentimentos. Nakamura leva um para Hirose, mas não consegue entregar. Na saída da escola, Hirose puxa o assunto sobre chocolates, aparentando estar confuso. Nakamura cogita que ele está falando dele e vai para casa feliz, sentindo que o amor pode ser recíproco. Não era.

No dia seguinte, Nakamura vê Hirose com sua nova namorada. Os chocolates foram dados por ela. Ela se declarou e o namoro começou. O que segue é a ficha de Nakamura caindo: ele não ficará com Hirose. Era só amizade. A trilha sonora cintilante dá lugar a uma melancólica. A paleta de cores fica mais fechada. A menina com quem Hirose namora é doce e gentil. Não é ela o problema. Ninguém ali é.

Na volta para casa, Nakamura passa por casais de diferentes idades, todos héteros. É como se a trama apontasse que ele está vendo algo que jamais terá, pois não é o "normal". Em casa, ele chora, lamentando que sabia que iria doer, mas que ainda assim era horrível. Ele foge de bicicleta na hora do jantar e chora mais, lembrando dos momentos com Hirose com uma nova camada de tristeza.

Ao fim do episódio, os créditos mostram o quarto de Nakamura, com um diálogo entre a mãe e a irmã mais nova dele, que diz para não irem atrás do irmão, porque muita coisa anda acontecendo com ele.

O final não é trágico. No dia seguinte, as coisas voltam ao normal. Essa é a adolescência. Nakamura ter essa explosão de sentimentos e não saber lidar com eles é a expressão máxima desse período da vida. A vida segue para ele e para os demais. Pode soar estúpido, pois é só uma história de amor platônico estudantil que não deu em nada. Mas há tanta ternura em Go For It, Nakamura-kun!! que mesmo enredos já explorados ficam uma graça de assistir.

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