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Franquia Story.Telling aposta em plano-sequência e quebra estereótipos

Por Projeto B News · · 3 min de leitura
Franquia Story.Telling aposta em plano-sequência e quebra estereótipos
Crédito: divulgação

A franquia independente brasileira “Story.Telling” se prepara para lançar seu segundo capítulo, dando continuidade a um projeto que une experimentação técnica e narrativa metalinguística. Idealizada pelo diretor Fábio Brandão ao lado dos roteiristas Silvio Gonzalez e Rafael Schubert, a série de curtas-metragens aposta em um formato ainda raro no audiovisual nacional: a continuidade narrativa entre episódios, algo incomum em produções de baixo orçamento.

O primeiro filme, lançado em 2021, foi produzido durante as restrições da pandemia e chamou a atenção em festivais especializados, conquistando o prêmio do júri no Rock Horror Film Festival. O reconhecimento abriu caminho para a sequência, que busca aprimorar a identidade já estabelecida.

O elemento central da franquia é o plano-sequência executado em tempo real, que mistura terror, suspense, humor e metalinguagem. Para a equipe, a técnica não é um mero exercício visual, mas um instrumento dramático. A ausência de cortes aparentes aproxima o espectador dos acontecimentos, intensificando a sensação de presença e integrando as decisões dos personagens à experiência narrativa. Essa escolha exigiu meses de preparação do elenco e da equipe técnica, com coreografia minuciosa entre fotografia, direção, atuação e direção de arte.

A metalinguagem também ocupa papel central na trama. Os roteiristas Cid e Rubens, interpretados por Silvio Gonzalez e Rafael Schubert, conduzem uma história sobre a própria construção de um filme. Novos personagens reforçam a proposta de um universo ficcional que dialoga constantemente com o fazer cinematográfico.

Personagens além dos estereótipos

Outro diferencial da franquia é o afastamento dos estereótipos comuns no cinema de horror. Em vez de personagens definidos apenas por funções narrativas, “Story.Telling” investe em trajetórias individuais marcadas por conflitos e contradições. No segundo capítulo, o centro da narrativa é a bailarina Hanna, interpretada por Anne Faria. Sensível e determinada, a protagonista não é construída como símbolo de um único perfil. Ela erra, acerta, enfrenta consequências e conduz uma jornada emocional que privilegia sua humanidade.

A proposta se estende aos demais integrantes do elenco. César, papel de João Fernandes, é um médico residente em busca de relações verdadeiras. Diogo, interpretado por Cassio Alves, vive o conflito entre ambição e sobrevivência. Pilar (Roberta Piragibe) procura provar que existe além da imagem construída nas redes sociais, enquanto Anajú (Sofia Manso) enfrenta constantemente seus próprios limites. Cora (Catarina Victori) convive com marcas do passado e Bárbara (Laura Barreto) precisa lidar com feridas emocionais. Em vez da tradicional divisão entre heróis e vilões, o roteiro aposta em personagens imperfeitos, cujas escolhas conduzem a narrativa.

Produção independente

Produzido com cerca de R$ 20 mil provenientes de recursos próprios e colaborações independentes, o projeto transforma limitações financeiras em estímulo para soluções criativas. A continuidade da série só se tornou possível porque o formato despertou interesse entre espectadores e profissionais envolvidos na produção.

O diretor Fábio Brandão, que conta com a produção executiva de Roby Amaral, já revelou que o terceiro curta-metragem da franquia foi escrito e está em produção com o título “Story.Telling 3: O Capítulo Final”. A proposta é encerrar o projeto como um quebra-cabeça de três partes, costurando início, meio e fim.

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