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Festival Sem Assédio une música e combate à violência em Curitiba

Por Projeto B News · · 3 min de leitura
Festival Sem Assédio une música e combate à violência em Curitiba
Crédito: divulgação

Um grupo de mulheres e pessoas dissidentes de gênero se uniu em Curitiba, no Paraná, para criar um festival que combina música, debate e conscientização sobre o combate ao assédio e às violências enfrentadas por artistas na cena independente da cidade.

Chamado de Festival Sem Assédio, o evento será realizado no dia 11 de julho, no Janaíno Vegan, no Largo da Ordem. A iniciativa surgiu após uma série de denúncias de musicistas que relataram ter sofrido assédio sexual, psicológico e financeiro em espaços ligados à produção cultural e à vida noturna curitibana.

A programação inclui as DJs GG Queen e Yohrani, além das bandas Capetassauras, Demolidoras, Domperidhona, Fancharia, Lia Kapp, Madame Crüe e Mordazes Musgos. Os ingressos custam R$ 20, com primeiro lote promocional de R$ 15, e podem ser comprados pela plataforma Pixta.

A idealização do festival nasceu da vontade de transformar experiências individuais em uma ação coletiva. Após sofrer importunação sexual e assédio de um produtor local, a artista Duda decidiu se unir a outras pessoas que viveram situações parecidas. Em nota, ela disse: "Quando fui importunada sexualmente e assediada por um produtor de Curitiba, decidi unir minhas forças com a de outras pessoas que vinham passando por situações semelhantes para literalmente ‘armar um barraco’, um festival com foco na conscientização sobre o respeito no rolê. O Festival Sem Assédio é a resposta de muitos artistas preocupados com a falta de respeito generalizada e misoginia em diversos espaços da noite curitibana, não somente na cena underground."

A criação do festival também dialoga com uma longa história de reivindicações por espaço e reconhecimento de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ na cena musical da cidade. Desde a década de 1990, artistas enfrentam dificuldades para ocupar palcos, ganhar visibilidade e serem reconhecidas como protagonistas da produção cultural independente.

Apesar dos avanços, relatos de desigualdade e invisibilização ainda são comuns. Bandas formadas por mulheres e dissidências de gênero continuam com menos oportunidades de destaque em eventos e enfrentam barreiras em contratação, remuneração e reconhecimento. A pesquisadora da cena underground curitibana, Carol Cardoso, comentou: "Na minha pesquisa de mestrado, conversei com três musicistas que ainda estão na ativa na cena musical da cidade e escutei relatos sobre assédio e diversos tipos de violência que elas enfrentavam lá na década de 1990. O que assusta é que estamos em 2026 e as artistas ainda estão passando pelas mesmas situações que já deveriam ter sido superadas!"

Entre as pautas levantadas pelas organizadoras estão a sexualização dos corpos das mulheres em cartazes e materiais de divulgação de shows, a falta de convites para bandas de mulheres e dissidências ocuparem posições de destaque, a desigualdade nos cachês e o desconhecimento sobre a existência de grupos com essas formações.

Além da música, o festival terá espaços de diálogo sobre os impactos do assédio. Haverá conversas com o público sobre prevenção e enfrentamento às violências, além da distribuição de um fanzine com conteúdos informativos e um manifesto contra a misoginia e o machismo na cena underground.

O line-up foi montado para ampliar a visibilidade de artistas historicamente sub-representadas, com DJs e bandas formadas majoritariamente por mulheres e dissidências de gênero. O evento também oferece lista trans com ingressos a R$ 10, entrada gratuita para pessoas com deficiência e meia-entrada para acompanhantes. Interessados devem entrar em contato pelo perfil oficial do festival no Instagram.

O Festival Sem Assédio ainda terá expositores de marcas e artistas independentes, com apoio do Ateliê Hopfer, Centro + Cidadania LGBTQIA+ Heliana Hemetério, CODEX, CM Geléias, Clube Garagem, Guli Estúdio, Rec N Roll Studio, Rock Camp Curitiba e Riot Grrrande do Sul.

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