Dubladores de Witch Hat Atelier revelam bastidores

O lançamento do animê de Witch Hat Atelier foi muito aguardado pelos fãs que já conheciam a história de Coco e cia. no mangá. A dublagem em português também era muito esperada, para saber quem daria a voz nacional para personagens tão queridos.
A convite da assessoria de imprensa da Crunchyroll, o JBox teve a oportunidade de entrevistar parte da equipe de dublagem da produção, incluindo Helena Violante, voz nacional da Coco, Lucas Gama, voz nacional de Qifrey, e Guilherme Marques, diretor de dublagem. O papo aconteceu de forma virtual no dia 27 de maio, com a colaboradora Cakes Sousa representando o JBox.
Na transcrição, os maneirismos e modos de falar dos dubladores foram mantidos dentro do possível, mas por vezes foram retirados para manter uma melhor fluidez no texto escrito.
JBox: É um prazer conversar com vocês e falar sobre um anime tão aguardado, e tão querido quanto Witch Hat Atelier. Queria começar perguntando para vocês justamente sobre a expectativa desse lançamento. É um mangá em publicação há muitos anos e já tinha uma base de fãs, muita expectativa, então queria saber se vocês tiveram algum contato anterior com a obra, seja lendo o mangá ou até acompanhando essa expectativa que os fãs tiveram ao longo dos últimos anos.
Guilherme: Eu não tinha pleno conhecimento da obra toda antes disso. Fui tomar pé mesmo quando chegou o projeto, e aí chegou com o primeiro trailer que já foi dublado, esse primeiro trailer. O pessoal da Crunchyroll editou todo o GC pra colocar o nome dos dubladores brasileiros, o que eu achei que fazia todo sentido do mundo, porque era cheio de GCs em japonês com o nome dos seiyuus lá, não ia fazer o menor sentido aqui pra gente. Então aí eu fui procurar saber o que era, e tomar conhecimento dos mangás, do fandom, do que já existia, do que não existia. Já estava em publicação oficial, então corremos atrás da publicação oficial, fomos conversar com a Panini, para entender os termos, adaptações e tudo pra gente conseguir ao máximo possível falar a mesma língua, né? Tanto do mangá quanto o anime. Eu não tinha um conhecimento prévio, mas assim que o projeto chegou, como é de praxe, a gente mergulha ali pra entender todos os meandros ali e poder também começar a escolher quem ia dar voz a cada um desses personagens.
Lucas: Olha, eu mesmo não conhecia. Meu primeiro contato foi com o teste e eu fiquei muito, muito entusiasmado quando eu vi. Eu falei assim: ‘Eu quero passar nesse teste! Quero passar, achei minha cara’. Depois que eu vi que lançou o trailer, que todo mundo ficou muito empolgado, todo mundo super aceitou a gente, sabe? E eu acho que isso é o que é mais gostoso de trabalhar com dublagem, sabe? Ter o apoio do fandom assim. Eu curti muito, foi muito prazeroso. Está sendo uma experiência incrível. Witch Hat Atelier tá sendo meu anime de conforto nesses últimos dias. Toda segunda-feira estou batendo o cartão também, além de dublar. E também lendo o mangá. Ó galera, tô aqui lendo o mangá, para entender também a história, tudo mais, entender um pouco mais do Qifrey. E eu espero estar fazendo jus ao personagem, que todo mundo esteja gostando. Tá sendo uma experiência incrível.
Helena: Pra mim foi igual ao Lucas. Eu também não sabia do mangá, eu não sabia que ia lançar o anime, que o pessoal tava ansioso. Eu só descobri quando eu fui fazer o teste e vi o trailer. E eu achei o máximo assim, eu estou também curtindo muito dublar. Eu tenho um carinho enorme por esse anime, já tá no meu top três inclusive de animes favoritos!
Eu queria pegar um gancho em algo que o Guilherme falou sobre essa parte de adaptação, sobre termos e tudo mais. A gente tá falando aqui de um universo mágico, mas você lembra se teve algum termo, Guilherme, que foi muito difícil de adaptar, que foi mais desafiador ou as traduções ali, o que já tinha de material base do mangá também foram tranquilos, não teve nenhuma dificuldade maior?
G: Eu acho que foi mais a gente ir conversando junto com o pessoal de tradução da Crunchyroll também, [pegando] do que já existia de base na tradução oficial já da Panini, que já tinha saído há bastante tempo. Eles mandaram um glossário pra gente entender ali o que já existia, termos, nomes, como vinha algumas propostas também do pessoal da tradução da Crunchyroll. Então a gente foi chegando ali num lugar comum. O que a gente vem buscando na dublagem não tem nem a ver com a Coco nem com o Qifrey exatamente, de tradução de termos, de linguagem, é a Tetia e a Richeh. Elas têm uma característica de falar em terceira pessoa que precisa tomar um cuidado pra aquilo fazer sentido. Mas a gente foi entendendo também acompanhando, estudando a obra e tudo, que era importante manter aquilo para as personalidades, pro desenvolvimento das personalidades. É um cuidado que a gente foi entendendo dentro do estúdio pra resolver isso na dublagem, pra manter as características das personagens. A gente não só traduzir o que as personagens estão dizendo, mas a gente trazer a personalidade desses personagens nas interpretações. Então, como trazer a afluência do japonês para o português, como trazer as interjeições, como trazer as nuances de personalidade, de escorregar a personalidade do Qifrey, por exemplo, em alguns momentos. Como trazer essa coisa mais doce da Coco junto com a coisa mais dramática. Então, o desafio de dirigir a dublagem, de cuidar dessa dublagem não é tanto os termos técnicos. Isso é mais simples. Mas como fazer isso dentro da verdade dos personagens, aí a gente vai trabalhando dentro do texto e trabalhando dentro do estúdio junto com cada um dos atores.
Uma pergunta pra a Helena: a Coco é muito fofa, ela é muito querida, a gente quer apertar a Coco em todos os episódios, mas ela também é muito determinada e ela mostra isso em vários momentos. Ela tem uma força interna ali dentro dela. E aí o Guilherme trouxe um pouco dessa construção no estúdio, eu queria que você falasse também sobre como foi trazer essas características da Coco para a fala em português, pra passar isso pro público também.
H: Eu uso uma técnica que eu gosto de imaginar como eu estaria na situação da personagem, na situação da cena que tá acontecendo. Tipo, ela está muito triste que aconteceu algo muito ruim com a mãe dela, não vou dar spoiler. Mas eu me imagino como seria isso, como eu me sentiria se isso tivesse acontecido comigo. A Coco ela é uma personagem que eu me identifico muito, mas eu sempre tento trazer a verdadeira emoção dentro de mim pra deixar o mais natural possível e o mais parecido possível com o áudio original.
E Lucas, o Qifrey, ele é, assim. Ele é uma pessoa misteriosa. Porque ali com as alunas ele é fofo, ele trata a Coco muito bem, é um professor muito querido, mas ele tem ali uns lampejos, ele é muito forte. E ele tem uns momentinhos ali que a gente já viu na temporada de tipo: ‘Hum, deveria eu desconfiar desse personagem?’. Como que foi a construção disso, de trazer o Qifrey. A voz original dele tem muito essa mistura, ele tem uma voz muito jovem, muito jovial, mas ao mesmo tempo às vezes ela endurece um pouquinho, a gente fala: ‘Opa, que que tá acontecendo aqui?’.
L: Eu acho que é uma das partes mais divertidas de fazer esse personagem, porque me dá margem pra brincar de várias formas. Que nem você falou, ele é paciente, ele é tranquilão, ele ama as alunas dele, mas se ele tiver que passar por cima de qualquer um pra conseguir o que ele quer, ele vai passar, independente se ele vai usar ou não as alunas dele, especialmente a Coco, pra fazer o que ele quer. É uma experiência muito bacana, porque o original já me entrega muita coisa. O original é a parte fundamental de tudo. E eu só vou embarcando junto com ele. Eu sei que me divirto fazendo, é uma experiência muito legal, porque eu consigo encontrar um registro.


