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Crítica: Zona Fantasma de Junji Ito brinca com a percepção

Por Projeto B News · · 2 min de leitura
Crítica: Zona Fantasma de Junji Ito brinca com a percepção
Sobrecapa. | Foto: Rafael Brito/JBox

Junji Ito, conhecido como um dos mestres do horror japonês, costuma ser sorridente e até fofo em aparições públicas. O autor foca em despejar sustos apenas nas páginas de suas publicações. É o que ocorre em Zona Fantasma, coletânea lançada no Brasil pela editora Pipoca & Nanquim.

O livro reúne oito contos publicados originalmente no Japão entre 2020 e 2022. As histórias brincam com a percepção do leitor sobre o que é real e o que é sobrenatural. Todas têm um ar de "causos" macabros e desafiam o leitor a pensar sobre os pequenos horrores das ações e emoções humanas.

O mangá começa com "A Descida das Carpideiras". Ito escreve sobre uma tristeza contagiante, capaz de fazer uma pessoa se "desfazer" em lágrimas. É uma alegoria sobre quando deixamos sentimentos melancólicos tomarem conta da vida. O choro também é apresentado como algo que pode trazer alívio para almas desgastadas. O conto dá o tom da publicação e mostra como Ito escreve e desenha.

O mesmo sentimento aparece no terceiro conto, "Corrente de Espíritos em Aokigahara". A história mostra um jovem que deseja morrer e vai para uma floresta densa. O que ele encontra muda sua percepção sobre tirar a própria vida. O personagem sente uma adrenalina que o alimenta e ao mesmo tempo tira suas forças.

Em "Madona", Ito aborda um colégio feminino religioso. Uma personagem se sente "mais santa do que Deus". O terror é mais psicológico do que visual. O autor inclui críticas à hipocrisia de líderes que usam a crença das pessoas em benefício próprio.

Altos e baixos na coletânea

Os primeiros três contos de Zona Fantasma têm mais força narrativa do que os cinco seguintes. As histórias seguintes continuam sendo fantásticas e macabras, mas com reviravoltas menos instigantes.

Em "Ao Toscanejar", a trama brinca sobre como o sono se parece com a morte. A partir daí, as tramas se resolvem mais rápido e com menos peso. "Soberano Demônio da Poeira" foca no ostracismo de uma família de famosos. O sentimento de ser "deixado de lado" é representado por uma onda de pó inacabável. O clímax e a resolução não geram surpresa.

As três últimas histórias são "Vila do Éter", "Tio Ketanosuke" e "Carapaças do Pântano Manju". Esta última é considerada a mais fraca de todo o compilado.

Apesar dos altos e baixos, Zona Fantasma é uma adição interessante à biblioteca de Junji Ito no Brasil. Mesmo as histórias com menos peso revelam o estilo do mangaká. Cada conto começa com um personagem dizendo algo como "vocês não vão acreditar no que aconteceu comigo". A obra termina com a sensação de estar sentado em um banco de praça ouvindo causos de Ito.

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