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Crítica: Três Dias de Felicidade emociona, mas peca pela previsibilidade

Por Projeto B News · · 2 min de leitura
Crítica: Três Dias de Felicidade emociona, mas peca pela previsibilidade
Capa. | Foto: Rafael Brito/JBox

Publicado no Japão em 2013, Três dias de felicidade (Mikkakan no koufuku) é um romance escrito por Sugaru Miaki e com capa ilustrada por E9L. Em 2016, a obra recebeu uma adaptação em mangá intitulada I sold my life for ten thousand yen per year, ilustrada por Shouichi Taguchi. A publicação dos três volumes no Brasil ficou a cargo da JBC. O romance chegou ao país no ano passado, também pela JBC, com tradução de Mie Ishii.

O enredo gira em torno de Kusunoki, um homem de 20 anos que vive uma vida infeliz e acredita que nunca será capaz de encontrar a felicidade. Ele ouve falar de um local onde é possível vender sua expectativa de vida e, sem esperanças de um futuro feliz, vende seus próximos 30 anos por 300 mil ienes. Restam-lhe apenas três meses de vida para encontrar a felicidade.

A narrativa é melancólica e contada em primeira pessoa pelo próprio Kusunoki. O leitor fica imerso no pessimismo e na autopiedade do personagem, acompanhando seus pensamentos enquanto ele se apega à esperança de que algo bom vai acontecer. O romance aborda temas como suicídio, depressão e perda, além de tangenciar uma crítica leve ao que a sociedade japonesa valoriza.

Construção de personagens

Kusunoki é um protagonista contraditório. Aos 20 anos, ele se considera um fracasso, mas ainda guarda a esperança de uma previsão feita por sua amiga de infância Himeno quando tinham 10 anos: no próximo verão, dali a dez anos, algo bom aconteceria e eles seriam grandes e famosos. A construção do personagem, no entanto, peca por não explicar por que ele se achava superior às outras crianças na escola, comportamento que reverbera em sua vida adulta de insucesso.

Himeno é uma companheira de desgraça de Kusunoki. A vida dela também não dá certo, e a previsão que fez na infância não se realiza. Ela serve para mostrar como parte da infelicidade do protagonista é culpa dele mesmo, que não enxerga as pessoas ao redor. Já Miyagi, a monitora responsável por Kusunoki nos últimos três meses de vida, começa como uma figura quieta e misteriosa. Embora tenha sua própria história, ela acaba funcionando como um motor de mudança para o protagonista.

Previsibilidade e mudança de tema

Apesar de personagens interessantes e da proposta reflexiva, o romance é bastante previsível. O leitor percebe rapidamente o que vai acontecer entre Kusunoki e Himeno, e mais rápido ainda em relação a Miyagi. A narrativa migra de algo introspectivo para uma história de amor, tangenciando um tom melodramático. Sugaru Miaki faz uma boa escolha ao deixar esse aspecto para o final, mas a história continua previsível ao longo de seu desenvolvimento.

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