Crítica: Cidade das Lápides, de Junji Ito, é deleite macabro

A coletânea "Cidade das Lápides", de Junji Ito, reúne onze contos publicados entre 1994 e 1997. A obra, lançada pela editora Pipoca e Nanquim, permite acompanhar a evolução do autor, com um traço menos rebuscado em comparação com seus trabalhos mais recentes.
O conto que abre e dá nome ao livro apresenta uma cidade tomada por lápides. A trama começa de forma direta, com pouca apresentação prévia, e convida o leitor a confiar no senso narrativo de Ito. A história brinca com a percepção do leitor sobre o que acontece após a morte.
Na sequência, contos como "Casa dos Camaradas", "Garota-Lesma" e "A Janela Vizinha" têm menos páginas. Algumas tramas terminam de forma abrupta, sem um desfecho claro, o que gera incômodo, mas também estimula a imaginação sobre o que teria acontecido aos personagens.
Entre os temas recorrentes estão as criaturas horrendas, descritas e desenhadas com exatidão. Esse elemento é destaque em "Encalhe", sobre um animal marinho, e em "Antepassados", que termina de forma assustadora, especialmente para mulheres.
A partir de "Um Longo Sonho", Ito usa o horror para tratar de medos reais. O conto fala sobre o medo da morte e a dificuldade de compreender a eternidade. Já "Estátua de Bronze" aborda vaidade, inveja e fofoca, enquanto "Papilhos" faz uma analogia sobre sentimentos reprimidos.
Para quem acompanha as publicações da editora, é perceptível a diferença no traço de Ito em meados dos anos 1990. O estilo mais rústico resulta em momentos ainda mais assustadores, como se o autor tivesse desenhado na velocidade em que desejava contar as histórias.
A coletânea de 2023 é considerada indispensável para fãs de terror e do trabalho de Junji Ito. Dos onze contos, poucos são de nota mediana, o que torna a leitura fluida.
Em outra notícia do mundo dos mangás, "O Bombástico Diário dos Heróis por Shocker OH!NO!" iniciou um projeto de financiamento coletivo para sua edição brasileira. A iniciativa busca recursos para trazer a obra ao país.


