
O animê Akane-banashi pega uma arte tradicional japonesa e a transforma em uma aventura. Essa arte é o rakugo, um tipo de performance em que um contador de histórias, chamado rakugoka, entretém a plateia sentado em uma almofada. Ele usa apenas a voz, gestos, expressões faciais, um leque e um tecido. Não é teatro nem stand-up comedy. É rakugo, com suas próprias tradições e regras.
Na história, Akane é filha de um rakugoka que tenta subir de categoria profissional. Para isso, ele precisa apresentar seu rakugo para a avaliação de grandes mestres. O mais temido entre eles não só reprova a apresentação, como bane o pai de Akane do mundo do rakugo profissional sem dar explicações.
Anos depois, Akane está prestes a se formar no Ensino Médio. Ela foi acolhida pelo antigo mestre de rakugo do pai, que a treinou durante todo esse tempo. Agora, Akane será acolhida oficialmente como aprendiz e dá seus primeiros passos nesse universo. Ela conhece outros rakugokas, enfrenta potenciais rivais e tem a chance de confrontar o grande mestre que baniu seu pai, caso vença uma competição amadora.
Akane-banashi usa clichês de animês de aventura e ação dentro de uma temática que parece distante disso. As apresentações de rakugo são retratadas como rituais, como se os rakugokas estivessem hipnotizando quem os assiste. As sequências de treinamento de Akane lembram as de guerreiros aperfeiçoando técnicas. Rakugokas de outros lugares são apresentados como adversários ou rivais, com presenças intimidadoras.
Há também uma discussão sobre a atualização da arte. No universo da trama, o rakugo é retratado como uma arte tradicional que já não chama tanta atenção do público, principalmente dos mais jovens. Durante um concurso para amadores, Akane enfrenta dois concorrentes fortes. Um deles atualiza histórias clássicas com humor, hibridizando com stand-up comedy. Outra é uma atriz de voz que adiciona dramaticidade teatral às histórias.
Os dois conquistam a plateia com apresentações que fogem do rakugo tradicional. Akane, porém, se mantém fiel ao estilo clássico e vence. O mestre que baniu seu pai a elogia, dizendo que ela já tem nível profissional. Esse mestre tem um pensamento conservador sobre o que o rakugo deve ser.
A questão levantada é: por que as pessoas não se importam mais com essa arte tradicional? É necessário adicionar elementos novos, ou faltam rakugokas que consigam impressionar mantendo os preceitos clássicos?
Akane-banashi é um animê do estúdio Zexcs, dirigido por Ayumu Watanabe. A primeira temporada está disponível na Netflix, com opções de legenda e dublagem em português, e no YouTube, apenas no áudio original com legendas em português. O animê adapta o mangá de mesmo nome, escrito por Yuki Seunaga e ilustrado por Takamasa Moue, em andamento desde 2022 na revista Weekly Shonen Jump, com 22 volumes. No Brasil, o mangá é publicado pela editora JBC.


