Governo libera R$ 1 bi para supercomputador de IA no RN
Edital de quase R$ 1 bilhão vai instalar em Macaíba máquina de inteligência artificial entre as dez mais potentes do mundo

O governo federal publicou em 20 de agosto de 2026 um edital de R$ 959 milhões para a compra de um supercomputador dedicado a inteligência artificial, que será instalado em Macaíba, na Região Metropolitana de Natal (RN). A máquina deve entrar entre as dez mais potentes do mundo em processamento de IA e representa uma mudança na distribuição geográfica desse tipo de infraestrutura no Brasil, historicamente concentrada no Sudeste.
A seleção pública, conduzida pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da Computação Científica, prevê sessão presencial de análise técnica e escolha do fornecedor em 8 de outubro de 2026. Segundo o site BR104, essa data marca apenas a definição do preço vencedor, e não o início do funcionamento do equipamento, que ainda não tem prazo confirmado.
O equipamento será erguido no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em uma área de 15 mil metros quadrados. Segundo o Impactto News, a escolha do local levou em conta a disponibilidade de energia, a estrutura da rede elétrica e as condições de segurança do terreno.
Quanto custa e o que o valor inclui
Circularam nos últimos dias números diferentes para o projeto, o que gerou confusão sobre o tamanho real do investimento. O BR104 detalhou que os R$ 959 milhões do edital cobrem apenas a compra e montagem do supercomputador. Já a estimativa de R$ 1,06 bilhão, citada pela Imagem da Ilha e pelo Misto Brasil, refere-se ao custo total do projeto no Rio Grande do Norte, somando estrutura, manutenção e capacitação de pessoal.
Há ainda um terceiro valor, de R$ 2,3 bilhões, que corresponde à soma de todas as iniciativas de inteligência artificial anunciadas pelo governo, não apenas à máquina potiguar. Esse pacote mais amplo integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028, conforme informou a Imagem da Ilha.
De acordo com o Impactto News, a ministra Luciana Santos, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), afirmou que 60% de todo o processamento de inteligência artificial usado no Brasil hoje é feito fora do país. "A gente vai reduzir nossa dependência (...) e agora vamos poder processar aqui", disse a ministra, segundo a reportagem.
Capacidade da máquina e comparação com o Santos Dumont
A nova máquina deve alcançar 7.200 petaflops, medida que indica 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo, segundo o Impactto News e a Imagem da Ilha. Para efeito de comparação, o atual supercomputador mais potente do país, o Santos Dumont, instalado em Petrópolis (RJ), opera com 27 petaflops e vai continuar funcionando normalmente, dedicado a pesquisas científicas gerais, conforme o BR104.
Petaflop é a unidade usada para medir a velocidade de processamento de supercomputadores: um petaflop equivale a um quatrilhão de operações por segundo. A diferença de escala entre as duas máquinas ajuda a dimensionar o salto que o governo pretende dar na capacidade nacional de treinar modelos de inteligência artificial, etapa em que o sistema aprende a interpretar dados antes de gerar respostas.
Quem poderá usar e o que ainda falta definir
Segundo o Misto Brasil, o equipamento vai atender projetos de universidades, órgãos públicos e empresas privadas, sob supervisão de um comitê de governança. O BR104 confirma que a máquina ficará aberta a instituições de todo o país mediante aprovação de projetos, mas destaca que, até a publicação da reportagem, o governo não havia informado se o Nordeste terá prioridade de uso ou cotas garantidas por sediar a estrutura.
A Imagem da Ilha aponta que a operação do supercomputador está prevista para o fim de 2027, e que o edital inclui transferência de tecnologia e capacitação de cinco mil profissionais em cinco anos. O impacto já aparece na região: a Universidade Federal de Alagoas criou neste ano uma graduação em inteligência artificial, e o Ministério Público de Alagoas já usa sistemas de IA para gerenciar processos criminais em Maceió, segundo o BR104.
Outras frentes do plano nacional de IA
O supercomputador do Rio Grande do Norte é uma entre várias iniciativas do pacote federal. A Imagem da Ilha e o Misto Brasil relatam uma parceria com as empresas chinesas Huawei e iFlytek para criar, no Rio de Janeiro, uma estrutura de supercomputação e um modelo de linguagem em português, com investimento estimado em R$ 1,276 bilhão e início previsto para julho de 2027.
O governo também planeja desenvolver chips com arquitetura aberta RISC-V, em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha, projeto com horizonte de dez a quinze anos, segundo o Impactto News. Outra iniciativa é a Nuvem Brasileira, que reúne Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, ABDI, Serpro e BNDES para criar uma alternativa nacional de armazenamento e processamento de dados. Um Centro Nacional de Transparência Algorítmica também será instalado na Universidade Federal de Minas Gerais para pesquisar riscos, vieses e falhas de sistemas de IA, sem poder de fiscalização ou sanção, conforme detalhou a Imagem da Ilha.
O que muda para quem usa tecnologia no Brasil
Para o usuário final, o efeito imediato ainda é indireto: nenhuma das fontes menciona qualquer aplicativo, serviço público digital ou plataforma que já mude de funcionamento por causa do novo supercomputador. O que muda, por enquanto, é a capacidade do país de treinar e rodar modelos de inteligência artificial dentro do próprio território, reduzindo a dependência de servidores estrangeiros.
Quem trabalha com pesquisa, desenvolvimento de software ou tecnologia em universidades e órgãos públicos deve acompanhar a abertura de editais de uso da máquina, já que o acesso será por projeto aprovado e ainda não há regras definidas sobre prioridade regional. Até lá, não há prazo oficial para o início da operação, e qualquer expectativa de uso prático depende do resultado da disputa entre fornecedores, marcada para outubro, e da instalação física do equipamento em Macaíba.
Fontes consultadas


